O presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, propôs que o Banco Central (BC) considere a exclusão da inflação de alimentos e energia ao definir a taxa básica de juros, a Selic. A declaração ocorreu após o Comitê de Política Monetária (Copom) elevar a Selic para 14,25% ao ano, visando conter a inflação. Em notícias relacionadas, o Copom elevou a Selic para 14,25% ao ano e sinalizou possível novo aumento em maio.
Durante um evento promovido pelo jornal *Valor Econômico*, Alckmin mencionou o Banco Central dos Estados Unidos como exemplo, que já exclui esses dois itens do cálculo dos juros básicos. “Uma taxa de juros elevada, como a Selic, em 14,25% ao ano, ela atrapalha a economia, porque torna muito caro o custo de capital”, afirmou.
O ministro argumentou que os aumentos nos preços de alimentos e energia são resultado de fatores externos, como eventos climáticos e tensões geopolíticas, que não estão diretamente relacionados à política monetária. “Alimento é muito clima. Se eu tenho uma seca muito forte, uma alteração climática muito grande, vai subir o preço de alimento. E não adianta eu aumentar os juros que não vai fazer chover. Então eu só vou prejudicar a economia”, explicou Alckmin. As variações de preços impactam diretamente o consumidor, como demonstrado na pesquisa do Procon Natal que divulgou pesquisa de preços em restaurantes self-service com variação de até 132%.
Alckmin também alertou para o impacto do aumento da Selic nas contas públicas, destacando que cada elevação de 1 ponto percentual na taxa básica aumenta a dívida pública em aproximadamente R$ 48 bilhões.
Embora o controle da inflação seja um dos principais objetivos do BC, a proposta de Alckmin sugere uma abordagem mais flexível em relação aos choques de oferta que influenciam os preços. “A redução da inflação é essencial. A inflação não é neutra socialmente, ela não é neutra, ela atinge muito mais o assalariado”, argumentou. Em Natal, o preço do gás de cozinha pode variar até R$ 25, evidenciando os impactos da inflação.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial, registrou 1,31% em fevereiro, o maior resultado desde março de 2022. O índice ultrapassa o teto da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.
A alta dos preços dos alimentos e da energia, juntamente com incertezas globais, levou o Copom a aumentar a Selic em 1 ponto percentual, marcando o quinto aumento consecutivo. O Copom ressaltou que a economia brasileira está aquecida, embora haja sinais de desaceleração no crescimento. O colegiado também indicou que, nas próximas reuniões, a elevação da Selic ocorrerá “em menor magnitude”, sem detalhar as futuras decisões. Essa situação também afeta o setor de alimentação fora do domicílio que apresenta oportunidades apesar da inflação.
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