O governo brasileiro, sob a liderança do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), anunciou nesta quinta-feira que não pretende adotar medidas de retaliação contra os Estados Unidos em resposta à imposição de uma tarifa de 10% sobre produtos brasileiros.
Questionado sobre a possibilidade de utilizar o *Projeto de Lei da Reciprocidade* como instrumento de resposta, Alckmin foi enfático: “Não pretendemos usar”. Ele reforçou que o Brasil busca evitar o acirramento de uma disputa tarifária com os Estados Unidos. Essa decisão ocorre em um momento em que Lula responde à tarifa dos EUA e RN pode sentir impacto na exportação de frutas, o que adiciona complexidade ao cenário.
“A gente tem que respeitar a decisão de outros países e proteger e defender os produtos brasileiros (…). O caminho que eu vejo é o do diálogo e da negociação”, afirmou Alckmin.
O *PL da Reciprocidade* estabelece critérios para que o Brasil possa reagir a barreiras comerciais impostas por outros países, adotando tarifas equivalentes. Apesar da decisão de não aplicar o projeto neste momento, Alckmin adiantou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionará a medida. O governo Lula tem buscado estratégias para controlar a inflação de alimentos, e a imposição de tarifas pode impactar essa busca.
Além de defender a negociação como principal estratégia, Alckmin enfatizou a importância da diversificação dos mercados de exportação para o Brasil. Ele mencionou o potencial de exportação de carne para o Japão, além de etanol e aeronaves. Atualmente, os Estados Unidos figuram como um dos principais compradores desses produtos brasileiros.
Nos últimos dias, o presidente Lula e outras autoridades realizaram uma viagem pela Ásia, com visitas ao Japão e ao Vietnã, em busca de novas oportunidades comerciais e parcerias estratégicas. Lula também tem defendido protagonismo do Brasil no cenário global, buscando fortalecer a posição do país no comércio internacional.
Em 2024, as exportações brasileiras de aeronaves e carne bovina para os Estados Unidos totalizaram US$ 3,6 bilhões, representando 9% do comércio bilateral, que alcançou US$ 40,4 bilhões. No ano passado, o Brasil registrou um déficit comercial de US$ 283,8 milhões em suas relações com os Estados Unidos. Essa situação demonstra a importância de buscar alternativas, como a diversificação de mercados mencionada por Alckmin, e as discussões sobre Alckmin defendendo a exclusão de alimentos e energia no cálculo da Selic ganham ainda mais relevância.
Leave a Reply