Brasil e China aprofundam cooperação ambiental com foco em financiamento e proteção de florestas tropicais

Presidentes do Brasil e da China apertam as mãos durante cerimônia de assinatura de acordos bilaterais.

Em um encontro bilateral realizado em Brasília, a Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil, Marina Silva, e o Ministro de Ecologia e Meio Ambiente da China, Huang Runqiu, formalizaram um novo plano de trabalho visando intensificar a cooperação em questões ambientais críticas. A reunião ocorreu durante a 11ª Reunião de Ministros de Meio Ambiente do BRICS, sob a presidência brasileira.

O foco principal da parceria sino-brasileira é o fortalecimento da Subcomissão de Meio Ambiente e Mudança do Clima da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban). Durante o encontro, os ministros assinaram o Plano de Trabalho da Subcomissão para o período de 2025 a 2029. Este plano delineia áreas de cooperação que incluem a proteção ambiental, o combate à poluição, a preservação da biodiversidade e o enfrentamento da mudança climática. A ministra Marina Silva tem se mostrado ativa em discussões sobre o tema, como quando defendeu o protagonismo do Brasil no cenário global e rebateu críticas sobre viagens de Janja.

Marina Silva enfatizou que a colaboração dentro da Cosban envolverá o intercâmbio de informações e boas práticas, iniciativas de capacitação e treinamento, consultas sobre negociações internacionais e cooperação na criação de mecanismos inovadores para o financiamento de serviços ecossistêmicos. A ministra destacou a importância de estabelecer abordagens inovadoras para garantir o financiamento sustentável da proteção ambiental, buscando, por exemplo, ações de capacitação e debate sobre gestão ambiental em Santa Cruz.

Um dos pontos centrais da discussão foi o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), um projeto ambicioso liderado pelos ministérios do Meio Ambiente, da Fazenda e das Relações Exteriores do Brasil. O fundo visa recompensar financeiramente os países que demonstrarem esforços eficazes na proteção de suas florestas tropicais, utilizando o monitoramento por satélites para verificar o progresso. O Brasil busca captar US$ 125 bilhões para o TFFF, com lançamento previsto para a COP30 em Belém, Pará, em novembro deste ano. Uma parcela significativa desses recursos será destinada a povos indígenas e comunidades tradicionais que desempenham um papel crucial na preservação das florestas. Recentemente, Lula homenageou Cacique Raoni e reforçou o compromisso com povos indígenas no Xingu, o que demonstra a importância dada a essa pauta.

O evento contou com a presença de diversas autoridades, incluindo o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, a secretária nacional de Mudança do Clima, Ana Toni, e o diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro, Garo Batmanjan.

Paralelamente à reunião do BRICS, Marina Silva manteve encontros bilaterais com representantes de outros países. Em uma reunião com a vice-presidente do Irã e chefe da Organização do Meio Ambiente, Shina Ansari, foram discutidas prioridades de ação no âmbito do BRICS e da COP30, bem como estratégias para combater a poluição por plásticos. Marina Silva ressaltou a relevância da participação do Irã no BRICS, enfatizando o fortalecimento do multilateralismo em um contexto geopolítico complexo. "Ter a presença do Irã no BRICS nos faz acreditar que o multilateralismo está fortalecido diante de um contexto geopolítico desafiador", afirmou a ministra.

Na quinta-feira (3), durante a Reunião de Ministros do Meio Ambiente do BRICS, Marina Silva se reuniu com a diretora-geral da Autoridade Ambiental da Etiópia, Lelise Neme, e reforçou o interesse em expandir a cooperação bilateral com a Etiópia nas áreas de meio ambiente e clima. A ministra também enfatizou a importância da atualização das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) pelos países até a COP30, em consonância com a meta do Acordo de Paris de limitar o aumento da temperatura global a 1,5ºC. O Rio Grande do Norte, inclusive, pode se beneficiar com investimentos em energia limpa, como os R$ 690 milhões aprovados pelo BNDES para complexo eólico Serra do Tigre no RN.

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