Cinco anos após a confirmação do primeiro caso de Covid-19 no Rio Grande do Norte, o estado contabiliza um total de 604 mil casos diagnosticados e mais de 9 mil mortes decorrentes da doença. O primeiro caso foi registrado em 12 de março de 2020, um dia após a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar a pandemia.
A paciente inicial era uma mulher de 24 anos que havia retornado de uma viagem à Europa. Os dados do Ministério da Saúde revelam que a maior parte dos casos e óbitos se concentrou nos primeiros dois anos da pandemia.
Distribuição dos Casos e Óbitos:
- Casos: 582,6 mil casos (96,4% do total) ocorreram entre 2020 e 2022.
- Óbitos: 8.689 mortes (93% do total) foram registradas no mesmo período.
Especialistas atribuem a significativa redução no número de infecções e mortes a partir de 2022 à ampla campanha de vacinação implementada no Brasil, que teve início em 2021. Em Natal, por exemplo, a vacinação contra Covid-19 foi ampliada em diversas UBS e pontos extras.
Ricardo Valentim, professor da UFRN e diretor do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (Lais), ressalta a importância do isolamento social no início da pandemia: "O grande problema da Covid-19 não era a letalidade dela, porque é baixa. O problema é que, como ela é altamente contagiosa, contamina milhões de uma vez e vão morrer muitas pessoas desses milhões. A gente tinha uma população idosa, uma população com comorbidades, e essas pessoas iam procurar os hospitais, muitas precisavam ser internadas e nós não tínhamos leitos suficientes", lembra.
No início da pandemia, sem tratamentos ou vacinas, medidas de isolamento social, uso de máscaras e higienização constante eram as principais formas de conter a disseminação do vírus.
O governo do Rio Grande do Norte publicou 51 decretos com fechamentos de estabelecimentos e regras para reaberturas.
Valentim, que participou do comitê científico que assessorou o governo estadual, defende as medidas tomadas. "Foi a medida que era possível se tomar naquele tempo de acordo com o conhecimento que nós tínhamos. Nós fizemos análises baseadas em dados, a gente analisou a curva de transmissão antes e depois dos decretos do governo. O que a gente comprovou, no período que não tinha vacina, é que sempre que teve intervenção do poder público, as ondas de transmissão e os óbitos diminuíam", afirmou.
A vacinação em massa, iniciada em 2021, foi o ponto crucial para o controle da pandemia. Mesmo com a chegada da variante Ômicron em 2022, o número de mortes foi significativamente menor em comparação com o ano anterior.
Diana Rego, coordenadora de Vigilância em Saúde da Sesap, concorda que a vacinação foi fundamental e que, atualmente, a Covid-19 é tratada como uma virose comum, similar à influenza (gripe). "É tratada como síndrome respiratória, assim como a influenza, com sintomas de gripe. Essa avaliação mudou com o passar dos anos, com a ciência de como o vírus se comporta, com a imunização e com o desenvolvimento e aperfeiçoamento das vacinas, sempre com a adaptação para as novas cepas. Também houve um ganho com a inserção no calendário nacional de vacinação das crianças, o que gera uma imunização", considerou. Recentemente, a vacinação contra gripe e covid-19 se tornou permanente no calendário nacional.
Ainda segundo Diana, a Covid-19 apresenta sazonalidade, com aumento de casos entre dezembro e janeiro, e entre março e abril, coincidindo com outras doenças respiratórias. A vigilância da doença continua, como é feito com outras doenças respiratórias. Em Natal, houve um reforço na testagem para covid-19 com novos kits de testes rápidos.
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