O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manifestou sobre a decisão do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 10% sobre produtos brasileiros. Durante evento em Brasília, Lula garantiu que o Brasil tomará “todas as medidas cabíveis” para proteger seus trabalhadores e empresas.
“Defendemos o multilateralismo e o livre comércio. E responderemos a qualquer tentativa de impor um protecionismo que não cabe mais hoje no mundo”, declarou o presidente. Lula afirmou que a reação do Brasil se baseará na lei da reciprocidade econômica, aprovada recentemente pelo Congresso Nacional, e nas diretrizes da Organização Mundial do Comércio (OMC).
O pronunciamento ocorreu durante o evento Brasil dando a volta por cima, onde Lula fez um balanço dos avanços do governo nos últimos dois anos, destacando a recuperação do país após a gestão anterior.
“O Brasil é um país que volta a sonhar e ter esperança. Um Brasil que dá a volta por cima e deixa de ser o eterno país do futuro para construir hoje seu futuro”, afirmou o presidente.
Entre os principais pontos abordados, Lula ressaltou os progressos em áreas como saúde, educação e infraestrutura. O governo, segundo ele, tem se dedicado à redução da fome e da pobreza, além de promover políticas de desenvolvimento e inclusão social.
“Com mais desenvolvimento e inclusão social, mais tecnologia e mais humanismo. Um país menos desigual e mais justo”, completou.
Economia em destaque
Lula apresentou números positivos sobre a economia e o mercado de trabalho. O Brasil voltou a figurar entre as dez maiores economias do mundo, com crescimento do PIB de 3,2% em 2023 e de 3,4% em 2024. O país registrou a menor taxa de desemprego dos últimos 12 anos, com 6,6%, e gerou mais de 3,2 milhões de empregos formais desde 2023.
Sobre o setor econômico, o presidente falou sobre o programa Nova Indústria Brasil, que impulsionou o crescimento do setor industrial em 2024, e o Novo PAC, que visa acelerar o crescimento do país por meio de investimentos em mais de 20 mil obras e ações, totalizando mais de R$ 1,8 trilhão em recursos. Além disso, Lula destacou o fortalecimento do comércio internacional, com o Brasil estabelecendo acordos comerciais com 67 países nos últimos dois anos. Diante desse cenário, é importante ressaltar que Lula defende protagonismo do Brasil no cenário global e rebate críticas sobre viagens de Janja.
Desafios ambientais
A questão ambiental também foi mencionada, com Lula ressaltando a redução histórica do desmatamento na Amazônia, que atingiu a menor taxa da década, e o compromisso do governo com a preservação ambiental. “A Amazônia teve uma redução de 46% no desmatamento em 2024 em relação ao ano anterior”, afirmou.
Políticas sociais
O presidente também destacou iniciativas no campo social, como a ampliação do programa Minha Casa, Minha Vida, a redução da insegurança alimentar, e o aumento de 37% no número de cirurgias eletivas realizadas pelo SUS em 2024. O programa Crédito do Trabalhador: 48 mil contratos firmados nos primeiros cinco dias tem sido um ponto chave dessas iniciativas.
“O Brasil retomou múltiplas políticas para nutrição e combate à fome e tornou-se uma das nações que mais reduziram a insegurança alimentar”, afirmou.
Lula ainda anunciou o avanço do programa Pé-de-Meia, que garante a permanência de jovens do ensino médio nas escolas, e o aumento das vagas do Mais Médicos, com mais de 26 mil profissionais em atuação. A parceria entre o Executivo e o Senado tem sido crucial para o avanço de pautas como essas, assim como noticiado em Lula e Alcolumbre selam pacto entre Executivo e Senado por pautas nacionais.
Em relação ao futuro, o presidente reafirmou a disposição do Brasil em seguir defendendo sua soberania e buscando uma posição de respeito mútuo nas relações internacionais. “Falamos de igual para igual e respeitamos todos os países, mas exigimos reciprocidade no tratamento”, finalizou.
A tarifa de 10% anunciada para o mercado brasileiro pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode impactar a economia do Rio Grande do Norte. Isso porque os EUA foram o 4º principal destino internacional da produção potiguar em 2024, de acordo com boletim da balança comercial do RN produzido pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico (Sedec). Importante ressaltar que o Aumento do ICMS em compras internacionais visa fortalecer indústria do RN e gerar empregos no estado.
Ao longo do ano passado, o RN exportou US$ 1,1 bilhão em produtos, dos quais US$ 66,1 milhões foram para os Estados Unidos, o que equivalente a 6% do total. Os maiores destinos foram Singapura (18%), Holanda (17%) e Ilhas Virgens Americanas, no Caribe (17%).
De acordo com a economista Suerda Soares, o impacto inicial será para os americanos, que deverão pagar mais caro pelos produtos potiguares. Outros efeitos, porém, não são descartados. “Pode ser que tenha uma redução da exportação desses produtos, dado que chegarão lá mais caros”, declarou, em entrevista à 98 FM.
Os principais produtos exportados do RN para os Estados Unidos são frutas, especialmente melão e melancia; além de produtos semiacabados, como o ferro e aço, utilizados nas produções de energias solar e eólica, aeronaves e produção de chips; e o petróleo. O Governo do RN injeta R$ 596 milhões na economia, buscando impulsionar a economia local, o que é crucial neste cenário.
A economista ressalta, porém, que Trump anunciou taxas mais altas para outros países, o que pode favorecer o Brasil, apesar da taxação extra para o nosso mercado. “O Brasil foi um dos países que teve a menor taxação. Então, nesse contexto, mesmo sendo taxado em 10%, a gente é o país que tem a menor taxação”, afirma Suerda Soares.
Nesta quarta-feira (2), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a imposição de uma tarifa de 10% sobre todos os produtos importados do Brasil. Essa medida faz parte de um pacote mais amplo de tarifas aplicadas a diversos países, com o objetivo declarado de corrigir o que o governo norte-americano considera práticas comerciais desleais. A situação remete a momentos em que o Brasil Adota Medidas de Retaliação Comercial Contra Restrições de EUA e União Europeia.
Além do Brasil, outros países serão afetados. A China foi o país mais afetado, com uma tarifa adicional de 34%, elevando o total para 54% sobre os produtos chineses. Outros países também foram impactados, como o Vietnã, com uma tarifa de 46%, e Taiwan, com 32%.
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