Maré alta causa estragos no litoral do RN: ninhos de tartarugas e barracas destruídas

Ninhos de tartarugas atingidos e barracas destruídas: maré alta causa transtornos no litoral do RN

O fim de semana foi marcado por transtornos no litoral do Rio Grande do Norte devido à elevação da maré, afetando principalmente as praias de Barra de Maxaranguape e Maracajaú, em Maxaranguape, e a praia de Muriú, em Ceará-Mirim. A força da água invadiu barracas e atingiu ninhos de tartarugas, causando prejuízos e preocupação.

De acordo com a tábua de marés da Marinha do Brasil, as ondas avançaram mais de dois metros no litoral Norte do estado. Moradores e comerciantes registraram a força da água, que invadiu barracas e causou estragos. Pelo menos 30 ninhos de tartarugas foram atingidos, conforme informações do projeto Tartarugas ao Mar.

Guilherme Longo, biólogo do Departamento de Oceanografia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), explicou que o fenômeno está relacionado às fases da lua, que intensificam as marés, e possivelmente ao aumento do vento e da ondulação. "Também pode ter a ver com aumento do vento e ondulação", afirmou o biólogo. Ele também descartou qualquer ligação com as atividades sísmicas recentes registradas no oceano Atlântico, a cerca de 1 mil km da costa do RN.

Prejuízos e Impactos

Em Barra de Maxaranguape, a maré alta, com um coeficiente de 114 (considerado muito alto pela Marinha), destruiu barracas na orla. O comerciante Guilherme Bozó relatou nunca ter presenciado uma maré tão forte. A secretária adjunta de Meio Ambiente de Maxaranguape, Cecília Veríssimo, informou que o município está oferecendo auxílio aos barraqueiros afetados. A situação em Maxaranguape já havia sido noticiada em Ressaca do mar destrói barracas na orla de Maxaranguape, RN; prefeitura monitora estragos.

Cecília Veríssimo também alertou sobre a ocupação irregular da zona costeira. "A cada ano a gente vem observando que o avanço do mar vem sendo cada vez maior. Ou seja, a gente percebe que tem a cada ano a questão das falésias, estão cada vez mais sendo impactadas e consequentemente as edificações que estão em lugares indevidos também vão sofrer os danos causados", disse. É importante lembrar que Turismo Sustentável: ESG como Pilar para o Desenvolvimento Responsável do Setor é fundamental para evitar esses danos.

Em Muriú, a força da água invadiu a barraca Estrela de Davi, danificando dois guarda-sóis. Os responsáveis pela barraca, Nininha e Pateta, contaram que a maré começou a subir na quinta-feira e que as ondas ficaram mais altas a partir de sexta-feira. Nininha relatou que seu marido construiu uma barreira de proteção com caixas de isopor para evitar maiores danos. Ceará-Mirim dá o pontapé inicial no carnaval com atrações de renome nacional, mas agora enfrenta os efeitos da maré alta.

Impacto nos Ninhos de Tartarugas

O projeto Tartarugas ao Mar, que monitora a região, informou que pelo menos 30 ninhos de tartarugas foram levados pela maré alta em Maxaranguape. Além disso, muitos outros foram soterrados, comprometendo o desenvolvimento dos filhotes. “É triste demais, um trabalho árduo que em um único dia é destruído. Desde 2018 não temos uma perda tão grande”, lamentou Isadora Barreto, coordenadora do projeto. A situação reforça a importância da decisão da Justiça Federal Proíbe Tráfego de Veículos em Praias de São Miguel do Gostoso para Proteger Tartarugas Marinhas.

O projeto Tartarugas ao Mar monitora atualmente mais de 180 ninhos de tartarugas marinhas distribuídos pelas praias dos municípios de Maxaranguape, Ceará-Mirim, Parnamirim e Nísia Floresta. Isadora Barreto também destacou a perda de estacas e bandeiras utilizadas para sinalizar os ninhos, o que representa um prejuízo financeiro para o projeto, que depende de doações.

Guilherme Longo ressaltou a importância de um plano de ocupação da zona costeira para evitar futuros problemas. "Importante destacar que um problema grande é que a gente tende a ocupar áreas muito próximas às praias, o que realmente aumenta a chance de ter esse tipo de problema. Por isso que um plano de ocupação da zona a costeira é tão importante. Para evitar esse tipo de acontecimento", explicou.

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