Dois terremotos de magnitude superior a 6 na escala Richter foram registrados no Oceano Atlântico, a menos de 1 mil km de Natal, nos últimos dias 27 e 28 de março. O professor Aderson Nascimento, coordenador do Laboratório Sismológico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), esclarece que esses eventos são resultados de processos naturais e imprevisíveis.
O Laboratório Sismológico da UFRN, que opera as estações de monitoramento da Rede Sismográfica Brasileira (RSBR), detectou o primeiro tremor, de magnitude 6.1, às 21h34 da quinta-feira, a aproximadamente 42 km do arquipélago São Pedro e São Paulo e a 952 km de Natal. O segundo tremor ocorreu por volta das 14h17 da sexta-feira, a menos de 3 km do epicentro do primeiro evento.
Processo Natural e Incontrolável
Segundo o professor Nascimento, os terremotos são manifestações da dinâmica interna da Terra. As rochas na parte mais superficial do planeta estão constantemente sob pressão, acumulando energia até atingirem um ponto de ruptura, liberando essa energia em forma de vibração. "É possível comparar com uma vara de bambu, que pode ser envergada até que uma hora ela chega ao seu limite. Isso também ocorre com as rochas", explica.
No caso específico dos tremores no Atlântico, eles ocorreram na dorsal meso-oceânica, uma região onde as placas tectônicas africana e sul-americana estão se separando. Esse processo, embora lento (10 a 12 milímetros por ano), gera falhas e tensões que culminam em terremotos. "Essa separação gera falhas. Imagine uma laje se rompendo. É como se fosse isso", exemplifica o professor.
Imprevisibilidade e Monitoramento
Apesar de ser possível identificar áreas de maior probabilidade de ocorrência de terremotos (cerca de 95% ocorrem em limites de placas tectônicas), o professor Nascimento enfatiza que **é impossível prever quando e onde o próximo tremor irá acontecer.** A UFRN registra dois terremotos no Atlântico, a menos de 1.000 km do litoral do RN, mas a previsão exata ainda é um desafio.
Apesar da imprevisibilidade, o monitoramento científico contínuo é crucial para entender melhor o planeta e mitigar possíveis impactos. "Muito se fala de preservação, mas só se preserva aquilo que se conhece", defende Nascimento.
Potencial Destrutivo e Contexto Global
Os terremotos recentes no Atlântico não representaram risco imediato para o Rio Grande do Norte ou outras áreas continentais, nem causaram alertas de tsunami. No entanto, o professor Nascimento ressalta que um terremoto de magnitude similar, dependendo de sua localização, poderia causar destruição considerável em áreas terrestres despreparadas. É importante estar ciente de que a maré alta causa estragos no litoral do RN e, da mesma forma, tremores em áreas costeiras podem ter consequências graves.
"Um terremoto de magnitude 7 praticamente destruiu o Haiti, que era um país que não estava preparado, mas não causaria o mesmo impacto no Chile ou no Japão, onde as construções são preparadas para isso", detalha.
O maior terremoto já registrado no Rio Grande do Norte ocorreu em 1986 no município de João Câmara. O tremor de magnitude 5.1 aconteceu na madrugada do dia 30 de novembro e destruiu cerca de 4 mil imóveis.
O evento sísmico no oceano Atlântico ocorreu no mesmo período em que um forte terremoto atingiu Mianmar, na Ásia.
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