Chuva Intensa Causa Inundações e Desespero em Natal: Moradores Clamam por Ajuda

'Acordei no meu aniversário com a casa tomada pela água': veja relatos de natalenses afetados pela chuva

Fortes chuvas que atingiram Natal, Rio Grande do Norte, na madrugada da última sexta-feira, 14 de março, resultaram em alagamentos generalizados e no transbordamento de pelo menos cinco lagoas de captação. A precipitação acumulou 86,7 milímetros em 24 horas, de acordo com dados da Empresa de Pesquisas Agropecuárias do Rio Grande do Norte (Emparn), atualizados às 8h. Em Parnamirim, região metropolitana de Natal, o volume de chuva alcançou 149 mm. Casos como esse demonstram que Natal remove mais de 3 mil toneladas de lixo de galerias pluviais e intensifica limpeza de lagoas, mas os problemas persistem.

A situação causou transtornos significativos para os moradores de diversas áreas da cidade. A dona de casa Aline Joyce, residente no conjunto Gramoré, Zona Norte de Natal, teve um aniversário atípico, acordando com a casa inundada. "Acordei hoje com minha casa tomada pela água da chuva mais uma vez. É complicado, é difícil", lamentou.

Em meio ao desespero, Aline faz um apelo às autoridades: "Eu sei que têm pessoas em situações mais difíceis do que a nossa, pessoas que moram próximo a lagoas de captação, mas assim é complicado, a gente já perdeu muita coisa, a gente não sabe mais a quem recorrer. Então, no dia de hoje, eu só quero pedir ao poder público que nos socorra, nos ajude, resolva nossa situação, não aguentamos mais sofrer".

Cícera de Aquino e Silva, 64 anos, moradora do loteamento José Sarney, também enfrentou o transbordamento da lagoa de captação local. Ela precisou deixar sua casa às pressas, levando apenas documentos e uma muda de roupa. "A minha casa não tem nada, porque já passei por três cheias nela, já perdi tudo. Não sou aposentada, estou nessa casa de favor até me aposentar. Quando começou a encher a lagoa, tirei meu filho que tem problema mental. As portas estão lá abertas", relatou.

Dinalva Bernardo de Araújo, outra moradora do loteamento José Sarney, que faz tratamento contra o câncer, não conseguiu comparecer à sessão de quimioterapia devido aos alagamentos. "Eu faço tratamento contra o câncer. Hoje eu não fui tomar a quimio porque não tive condições de ir. Todo ano é isso aqui. Eu peço às autoridades que tenham misericórdia de nós aqui. Todo ano é assim. não tenho pra onde ir", desabafou. Situações como essa se repetem e lembram que Chuva forte em Natal causa alagamentos e arrasta mulher na avenida Jaguarari.

No bairro Planalto, Zona Oeste da cidade, a situação também foi crítica. Sandra Barbosa, dona de casa, perdeu uma máquina de lavar e outros pertences devido à invasão da água e lama. "Sempre foi assim e agora está bem pior. E o poder público não faz nada por nós. E a gente nessa situação. E aqui moram muitas pessoas de bem, crianças, idosos, a gente está prestes a pegar leptospirose, toxoplasmose e outras coisas a mais, que aqui é fezes de animais, ratos, e a gente vive nessa situação infelizmente", disse. A situação é semelhante àquela que Engorda da Praia de Ponta Negra em Natal volta a alagar após fortes chuvas.

A Secretaria de Infraestrutura de Natal (Seinfra) informou que uma das lagoas que transbordaram, a de Cidade da Esperança, teve os cabos das bombas furtados. "Nós estamos agora nos ajustes pra poder fazer essa ligação da energia hoje ainda [sexta-feira] pra que essa bomba vole a funcionar e a gente evite esse problema futuro, nas próximas chuvas", disse Shirley Cavalcanti, secretária da Seinfra.

Em relação às outras quatro lagoas que transbordaram na Zona Norte, a secretária explicou que o problema é crônico e que a solução definitiva depende da construção de uma estação de tratamento pela Companhia de Águas e Esgotos do RN (Caern). "As outras quatro lagoas que transbordaram na Zona Norte são situação que já são recorrentes, porque elas precisam de soluções do esgotamento sanitário da Zona Norte. Ele vai vir através da operação da Estação Jaguaribe, da Caern", explicou.

Ainda segundo a secretária, o volume de chuva registrado foi excessivo, mesmo para uma cidade preparada. "[As lagoas] vivem cheias. Quando recebem esse volume de chuvas, dessa magnitude que a gente recebeu agora nas últimas horas, o que acontece é que elas acabam transbordando e gerando esse trantorno para a comunidade", concluiu.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *