Natal: Orla de Ponta Negra terá reestruturação após obra de engorda de R$ 76 milhões

Nova Ponta Negra: Projeto de reestrutução conta com alargamento do calçadão e espaço exclusivo para banhistas, esportes e comércios

A Prefeitura de Natal planeja uma reestruturação completa da orla de Ponta Negra, após a conclusão da obra de engorda da praia em janeiro, que custou R$ 76 milhões. O Secretário de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb), Tiago Mesquita, informou que o planejamento para a revitalização começou dois anos antes da obra e visa garantir infraestrutura, segurança e ordenamento para frequentadores e comerciantes.

Um dos principais pontos do projeto é o cadastramento de trabalhadores locais, que levou em conta critérios como moradores nativos, atuação vinculada a associações da região e tempo de trabalho na praia (superior a cinco anos). Segundo Mesquita, em entrevista à Band RN, o cadastramento resultou na emissão de crachás com QR Code para identificação e na assinatura de termos de compromisso com os trabalhadores. Além disso, foram criados coletes com cores distintas para identificar as diferentes atividades econômicas: quiosqueiros, locadores, ambulantes e rendeiras/artesãos.

A Semurb pretende realizar um zoneamento detalhado dos 4 km da orla, dividindo-a em diferentes áreas de uso:

  • Espaço exclusivo para banhistas: área destinada a quem prefere levar cadeiras e guarda-sóis próprios.
  • Área comercial: espaço para quiosqueiros e locadores, visando organização e controle das atividades.
  • Setor para esportes terrestres: instalação de seis quadras em frente ao shopping Vilarte e outras próximas ao Morro do Careca.
  • Zona destinada a esportes náuticos: área que permite a prática de esportes náuticos com segurança e organização.

Apesar da engorda, a infraestrutura existente ainda necessita de melhorias. O secretário Mesquita destacou a necessidade de renovação do calçadão, modernização dos banheiros públicos e a criação de espaços adequados para ambulantes, além da instalação de reservatórios para guardar cadeiras e outros equipamentos. Após a engorda, banhistas de Ponta Negra relatam mudanças no mar, e a prefeitura promete estabilização.

A renovação completa da orla depende da estabilização do aterro hidráulico, um processo que deve levar cerca de dois anos. Nos próximos quatro meses, a prefeitura pretende iniciar a busca por recursos e o processo de licenciamento para as melhorias. De acordo com Mesquita, a administração municipal aguarda a finalização do relatório da empresa GCA sobre a engorda, bem como os estudos da Funpec e da Funcern, para dar início à captação de recursos e aos trâmites burocráticos, incluindo licitações e concursos públicos para elaboração dos projetos.

Entre as propostas da gestão, está a realização de um concurso para escolher o projeto arquitetônico e paisagístico da nova Ponta Negra. A prefeitura também busca firmar parcerias público-privadas para padronizar o mobiliário urbano e os equipamentos da praia, visando um padrão de qualidade para quiosques, banheiros públicos e demais instalações. A cidade de Natal se destaca entre os destinos mais procurados para o Carnaval 2025, impulsionada pela revitalização.

A revitalização da praia de Ponta Negra também deve impulsionar a economia local. Um estudo da Fecomércio aponta que a região arrecada cerca de R$ 300 milhões em ICMS por ano, e a expectativa é que esse valor cresça 20% até 2025. Isso representaria um retorno de R$ 10 milhões para o município e R$ 60 milhões para o governo estadual. Segundo Mesquita, considerando a geração de emprego e renda, além dos investimentos privados, o retorno do investimento na engorda pode ocorrer em aproximadamente um ano. Estima-se que, em um ano, o município pode recuperar integralmente o valor aplicado na engorda da praia.