Alta no preço do cacau impacta produção de ovos de Páscoa, que deve cair 20%

O setor de chocolates se prepara para uma Páscoa atípica. A disparada global no custo do cacau, com um aumento de aproximadamente 180% nos últimos dois anos, deve resultar em uma retração de cerca de 20% na quantidade total de ovos de Páscoa produzidos neste ano. O aumento do preço do cacau reflete diretamente no valor final dos produtos de chocolate.

A situação é reflexo de problemas nas colheitas dos principais países produtores, especialmente na África, no segundo semestre do ano passado. A Costa do Marfim, maior produtor mundial, enfrenta ondas de calor e seca, o que, segundo Letícia Barony, assessora técnica da Comissão Nacional de Fruticultura da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), “vai influenciar o desenvolvimento da planta, a brotação e a formação dos frutos, e com isso uma menor oferta”.

Gana, o segundo maior produtor, apresenta sinais de recuperação, com indicadores governamentais apontando para uma colheita promissora, o que pode ajudar a reequilibrar a oferta global. No Brasil, a expectativa é de aumento na produção, após anos de declínio. O país se consolida como o sexto maior produtor global, com os estados do Pará e Bahia responsáveis por mais de 90% da produção nacional, totalizando cerca de 300 mil toneladas anualmente.

Apesar da instabilidade, a CNA projeta crescimento nas safras brasileiras nos próximos anos, impulsionado por investimentos em áreas não tradicionais, como o cerrado baiano e novas regiões em São Paulo e Minas Gerais. No entanto, a volatilidade do mercado ainda é uma preocupação. “Percebemos ainda muita volatilidade e incerteza no mercado, tanto em relação à oferta quanto à demanda e, principalmente, aos preços dos produtos”, comenta Letícia Barony. É importante ficar de olho, pois o Governo Federal Acredita em Queda nos Preços dos Alimentos em Até 60 Dias.

A Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicad) estima a contratação de cerca de 9.600 trabalhadores temporários, um aumento de 26% em relação a 2024, com a expectativa de que 20% deles sejam efetivados. A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) registrou um aumento médio de 14% nos preços dos ovos de chocolate e produtos relacionados, enquanto as colombas ficaram 5% mais caras. Para mitigar o impacto nos consumidores, o setor aposta na diversificação do portfólio, oferecendo produtos menores e mais variados. Em Natal, o Procon aponta variação no preço do gás de cozinha, impactando também nos custos de produção.

A assessora técnica da CNA também destacou os avanços tecnológicos no setor, que visam aumentar a produtividade e garantir uma produção eficaz e sustentável. Recentemente, a Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) participou de uma missão à África, onde foram assinados acordos de cooperação tecnológica para fortalecer a renda dos países produtores. No Rio Grande do Norte, o ICMS teve aumento para 20%, o que pode influenciar os preços dos produtos.

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