Demissão silenciosa impacta 9% do PIB global: estudo aponta causas e soluções

Demissão silenciosa afeta economia global e exige mudanças no ambiente de trabalho

A crescente tendência da demissão silenciosa, ou quiet quitting, tem gerado impactos significativos no mercado de trabalho em escala global, com reflexos diretos na produtividade e na economia. Um estudo recente, intitulado “State of the Global Workplace 2024” conduzido pela Gallup, revela que expressivos 62% dos funcionários demonstram falta de engajamento, limitando-se a cumprir apenas as tarefas estritamente necessárias em suas funções.

Essa postura, aparentemente inofensiva, acarreta um prejuízo econômico estimado em 8,9 trilhões de dólares, o que corresponde a aproximadamente 9% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial.

Gabriella Saldanha, especialista em Recursos Humanos e gestora acadêmica da Estácio, aponta que a sobrecarga de trabalho e a exigência excessiva de horas extras são fatores preponderantes para o desencadeamento desse cenário, que se intensificou após a pandemia de COVID-19. Segundo ela, "Com retração em algumas áreas, alguns colaboradores precisaram realizar horas extras e lidar com sobrecarga de trabalho, assumindo atividades anteriormente desempenhadas por outros colegas, uma vez que alguns postos de trabalho foram eliminados e/ou modificados”.

Diante desse contexto, a especialista enfatiza a importância de um ambiente de trabalho mais humanizado como estratégia para mitigar a perda de profissionais qualificados. "O líder precisa estabelecer vínculos com seu time, cultivar o equilíbrio entre trabalho e lazer, ser confiável e inspirador, ser exemplo, celebrar todas as vitórias, mesmo que pequenas. E, principalmente, desenvolver o talento dessas pessoas, e quem sabe novos líderes”, afirma Gabriella.

Outro aspecto crucial para reverter a demissão silenciosa é a implementação de um sistema de feedback contínuo, embasado em dados e indicadores de desempenho. Saldanha ressalta que "Essa prática não deve se basear somente em percepções pessoais, mas em dados e indicadores de desempenho. Entretanto, ainda existem organizações que não oferecem feedback regularmente, resultando em descontentamento e evasão de talentos”. No Rio Grande do Norte Impulsiona Emprego Formal com Criação de 2,4 Mil Vagas em Fevereiro, Aponta Caged, vemos a importância de um ambiente de trabalho saudável para a geração de empregos.

Sinais de alerta no ambiente corporativo

A identificação precoce de sinais de quiet quitting demanda atenção redobrada às mudanças de comportamento dos colaboradores. Gabriella Saldanha sugere observar atentamente fatores como:

  • Queda acentuada na produtividade;
  • Distanciamento em relação à equipe;
  • Falta de interesse por novos desafios.

A especialista ainda alerta para a importância de identificar casos de apatia e influência negativa sobre outros membros da equipe. “A apatia e a influência negativa sobre outros colaboradores são alertas importantes. Por isso, o ideal é que as empresas promovam pesquisas de clima organizacional e, mais do que isso, implementem planos de ação baseados nos resultados obtidos”, recomenda. Um exemplo de como melhorar o ambiente de trabalho é visto em Hotel Nacional implementa escala 5×2 e registra aumento na satisfação dos funcionários.

Adicionalmente, Gabriella reforça que a oferta de benefícios que vão além da remuneração é fundamental para impulsionar o engajamento e reduzir a incidência da demissão silenciosa. "As empresas podem instituir benefícios, como plano de saúde, plano odontológico, seguro de vida, vale-transporte, vale-alimentação e participação nos lucros, para reduzir preocupações externas que impactam a produtividade dos colaboradores”, conclui. A Bolsa Família: Inserção no mercado de trabalho impulsiona a autonomia de beneficiários em 2024 mostra como o suporte social pode influenciar no engajamento no trabalho.

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