A World, empresa responsável pelo sistema de identificação World ID, anunciou a suspensão temporária de suas operações de verificação de íris no Brasil. A medida foi tomada após a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) proibir a prática de remunerar indivíduos pela coleta de dados biométricos.
Em comunicado oficial, a World expressou respeito pela decisão da ANPD e informou que a pausa nas verificações permitirá que a empresa implemente as mudanças necessárias em coordenação com a autoridade, garantindo a conformidade com as regulamentações brasileiras. "A World respeita a decisão da ANPD. Como a ANPD está ciente, será necessário tempo para cumprir com a sua ordem. Para permitir que a World conclua as mudanças em coordenação com a ANPD e garanta conformidade durante esse processo, estamos voluntariamente e temporariamente pausando o serviço de verificações. Os espaços físicos da World permanecerão abertos para fornecer educação e informações ao público e pedimos desculpas por qualquer inconveniente aos que desejavam se juntar à World agora", declarou a empresa.
A tecnologia World ID utiliza padrões únicos da íris para criar um código de validação, com o objetivo de distinguir humanos de robôs e inteligências artificiais. A empresa desenvolveu uma câmera avançada, conhecida como Orb, para realizar esse processo de identificação. A suspensão ocorre em um momento em que o uso de dados biométricos está em discussão, como na lei do BPC, que teve a exigência de biometria vetada.
A decisão da ANPD, publicada no Diário Oficial da União, reforça o compromisso do órgão com a proteção da privacidade e dos dados pessoais dos cidadãos brasileiros. A ANPD enfatizou que a privacidade e a proteção de dados devem ser asseguradas em todas as atividades de tratamento de dados pessoais realizadas no país. "A decisão reforça o compromisso da ANPD com a defesa dos direitos fundamentais de privacidade e a proteção dos dados pessoais, garantindo que essas prerrogativas sejam respeitadas nas atividades de tratamento de dados pessoais no país", afirmou o órgão.
Há algumas semanas, a ANPD já havia proibido temporariamente a World de oferecer compensações financeiras, incluindo criptomoedas como WorldCoin (WLD), em troca do escaneamento da íris. A medida foi motivada por relatos de pessoas que participavam do processo de escaneamento atraídas pelo pagamento, sem compreender totalmente a natureza do projeto.
A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) classifica a íris como um dado biométrico sensível, exigindo um consentimento qualificado e informado para o seu tratamento.