Setor de Alimentação Fora do Domicílio Apresenta Oportunidades Apesar da Inflação, Aponta Economista

Mercado reduz estimativas para crescimento da economia e inflação

O setor de alimentação fora do domicílio no Brasil enfrenta um cenário complexo, marcado por inflação elevada, altas taxas de juros e uma desaceleração econômica geral. Apesar dos desafios, o primeiro trimestre de 2025 sinaliza oportunidades promissoras, de acordo com o economista William Figueiredo, da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Rio Grande do Norte (Fecomércio RN). Vale lembrar que o ICMS no Rio Grande do Norte também impacta diretamente as empresas.

Figueiredo apresentou suas análises durante o 42º Encontro Nacional da Abrasel, realizado em Natal, onde destacou o desempenho do setor em 2024. Em um ano em que o Produto Interno Bruto (PIB) nacional cresceu 3,40%, a alimentação fora do domicílio superou a média do setor de serviços, registrando um aumento de 5,3% na receita real, em comparação com 3,2% do setor de serviços como um todo. Natal sediou o 42º Encontro Nacional da Abrasel, um evento importante para o setor.

Contudo, o economista alertou para a aceleração da inflação, prevista para iniciar em novembro de 2024, e para a manutenção de taxas de juros acima de 10%. A expectativa de um dólar cotado a R$ 6,00 também representa um desafio adicional para os empresários do setor, exigindo inovação e capacidade de adaptação. Isso ocorre em um cenário onde o Copom elevou a Selic para 14,25% ao ano, impactando o custo do crédito.

Um dos principais obstáculos identificados é a dificuldade em repassar a inflação dos alimentos aos consumidores. Nos últimos quatro anos, o aumento dos preços nos supermercados superou em 20 pontos percentuais a inflação da alimentação fora do domicílio, o que tem comprimido as margens de lucro dos estabelecimentos. Figueiredo ilustrou essa situação com o exemplo do café, cujo preço subiu 66% nos supermercados, enquanto nos restaurantes o aumento foi de apenas 11%. O Procon Natal já revelou a variação de preços em restaurantes self-service e quentinhas.

“Os números mostram que há um grande desafio de manter os negócios funcionando de forma competitiva sem comprometer a margem de lucro”, advertiu Figueiredo.

A palestra também abordou a crescente importância da transformação digital no setor, com destaque para o *expressivo crescimento do delivery*. Em 2024, um único aplicativo de entrega registrou 110 milhões de pedidos mensais, um recorde que demonstra a relevância desse canal de vendas.

“As *dark kitchens* são hoje grandes concorrentes dos estabelecimentos físicos. É preciso investir na experiência, atendimento e qualidade do serviço prestado para reter e atrair clientes para bares e restaurantes”, enfatizou Figueiredo.

O economista concluiu sua apresentação ressaltando que, apesar das pressões inflacionárias e do aumento nos custos, o setor de bares e restaurantes oferece oportunidades significativas para aqueles que investirem em tecnologia, qualificação profissional e estratégias de fidelização. Segundo ele, a capacidade de adaptação e a inovação serão fatores determinantes para o crescimento sustentável do setor a médio e longo prazo.

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